QUASE 7 EM CADA 10 CARGAS PASSAM PELAS RODOVIAS: BRASIL PRECISA DE MAIS DE UM CAMINHO PARA MOVIMENTAR A PRODUÇÃO
Com 68,5?carga transportada no país concentrada no modal rodoviário, especialista aponta que desafio não é substituir caminhões, mas conectar estradas, ferrovias e cabotagem para criar alternativas às empresas
O caminhão continua sendo protagonista da logística brasileira. Considerando a quantidade transportada e a distância percorrida, o transporte rodoviário responde por 68,5% das cargas movimentadas no país, segundo dados do Panorama de Transporte Rodoviário de Cargas.
A dimensão dessa participação ajuda a explicar por que qualquer problema em um corredor rodoviário pode rapidamente ultrapassar os limites da estrada. Interdições, restrições de capacidade, aumento de custos ou gargalos de infraestrutura podem afetar prazos e planejamento de cadeias inteiras quando não há outra rota competitiva disponível.
Para Jean Carlos Rocha, CEO da ELO Soluções Logísticas Integradas, o debate não deveria ser sobre tirar o caminhão da operação, mas sobre evitar que determinadas cargas tenham apenas uma alternativa para percorrer grandes distâncias. “O caminhão é indispensável para a distribuição e continuará sendo. A questão é quando uma cadeia depende de uma única alternativa para percorrer grandes distâncias. Se um corredor enfrenta restrição de capacidade, uma interrupção ou aumento de custo, toda a operação sente o impacto. Ter ferrovias, hidrovias e cabotagem conectadas às rodovias permite distribuir melhor esse risco e escolher a combinação mais adequada para cada trecho.”
É justamente nessa combinação que a multimodalidade ganha relevância. Em vez de colocar caminhão, trem e navio em uma disputa por espaço, a estratégia permite desenhar uma operação em que cada modal seja utilizado no trecho em que oferece melhores condições de custo, capacidade, prazo ou disponibilidade.
Segundo o executivo, quando se trata de multimodalidade, não se trata de substituir um modal pelo outro, mas de criar opções. Uma operação que consegue combinar diferentes meios de transporte tem mais possibilidades de reagir a mudanças de custo, capacidade ou disponibilidade ao longo da rota.
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O problema não termina quando a ferrovia ou o porto ficam prontos
A integração entre diferentes meios de transporte aparece entre as prioridades do Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, lançado em agosto. O planejamento estabelece 31 eixos prioritários, sendo 12 rodoviários, oito ferroviários, quatro aquaviários e sete intermodais.
Mas ampliar a oferta de infraestrutura é apenas parte da equação. Para que uma carga efetivamente migre de um caminhão para um trem ou navio durante o percurso, os pontos de conexão também precisam funcionar. É nessa etapa que entram acessos aos terminais, disponibilidade para transbordo, armazenagem, programação das operações e sincronização entre os diferentes agentes envolvidos na viagem. “Não adianta ter uma ferrovia eficiente ou um terminal portuário com capacidade se a carga não consegue chegar até eles de maneira competitiva. A integração começa nos acessos, passa pelos terminais e envolve também informação, programação e sincronização. É essa conexão entre as etapas que determina se a multimodalidade funciona de fato.”
Para Jean, portanto, uma rota não pode ser analisada apenas pelo desempenho de seu principal trecho. Um ganho obtido durante centenas de quilômetros pode perder competitividade caso a carga encontre demora, custo elevado ou dificuldade justamente no momento de mudar de modal. “A empresa não contrata apenas um trecho da viagem, ela precisa que a carga chegue ao destino. Se existe eficiência na ferrovia ou na cabotagem, mas há um gargalo para acessar o terminal ou realizar o transbordo, essa vantagem pode se perder. A multimodalidade precisa funcionar de ponta a ponta.”
Cabotagem ajuda a mostrar por que nenhum modal trabalha sozinho
Um exemplo está na cabotagem. Nos dois primeiros meses de 2026, a modalidade movimentou 38,4 milhões de toneladas de cargas, segundo dados divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos.
Embora permita percorrer grandes distâncias pela costa brasileira, a cabotagem depende de outros modais nas duas pontas da operação. A carga precisa chegar ao porto de origem e, após o desembarque, seguir até fábricas, centros de distribuição ou clientes.
Na prática, isso significa que ampliar o uso do transporte marítimo não necessariamente reduz a importância dos caminhões. Pelo contrário: torna a qualidade da conexão entre rodovias, terminais e portos ainda mais importante.
Para o CEO da ELO Soluções Logísticas Integradas, que atua com soluções em diferentes etapas da cadeia logística, essa visão integrada permite analisar a movimentação da carga além de um único trecho ou modal. “O cliente não está preocupado em defender rodovia, ferrovia ou cabotagem. Ele quer saber qual desenho consegue levar a carga da origem ao destino com segurança, previsibilidade e competitividade. É por isso que a integração importa: ela amplia as possibilidades para construir uma operação adequada a cada necessidade.”
O avanço da multimodalidade no Brasil, portanto, passa menos por encontrar um substituto para o caminhão e mais por dar a ele conexões. Em um país de dimensões continentais, ter diferentes caminhos disponíveis pode significar não apenas redução de custos, mas maior capacidade de adaptação diante dos imprevistos da operação.
Sobre a ELO Soluções Logísticas: Sediada em Itajaí, SC, a ELO Soluções Logísticas Integradas atua há 7 anos no mercado com foco de otimizar a cadeia logística de ponta a ponta, coletando com o produtor até a porta do cliente. Com 11 filiais estrategicamente distribuídas pelo Brasil e uma frota com mais de 250 placas, a empresa oferece soluções completas em transporte rodoviário, armazenagem geral e alfandegada e locação de conteineres. Indo além, a empresa deu início neste ano a operação de frete internacional rodoviário para todo o Mercosul e cabotagem, dando soluções ainda mais inovativas para seus clientes.
Fonte: Publika.aí Comunicação
Via: Agência Logística de Notícias
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