MARÍTIMO X ANSIEDADE
COLUNA SAÚDE MENTAL - RICARDO MENDONÇA ( Psicanalista)
1. QUANDO A ANSIEDADE EMBARCA COM O MARÍTIMO
TGA – Transtorno de Ansiedade Generalizada
A rotina marítima exige responsabilidade, concentração e capacidade de lidar com situações inesperadas.
Alguns profissionais podem apresentar sintomas de TGA sem perceber que existe um problema.
Preocupação excessiva, tensão constante, irritabilidade e dificuldade para relaxar podem ser sinais importantes.
Muitos interpretam esses sintomas apenas como estresse normal da profissão ou pressão do trabalho.
Buscar orientação profissional pode ajudar o marítimo a compreender o que está acontecendo e encontrar estratégias adequadas.
Cuidar da saúde mental também faz parte da segurança, da qualidade de vida e do desempenho a bordo.
2. QUANDO A FALTA DE ATENÇÃO NÃO É APENAS DISTRAÇÃO
TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade
A atividade marítima exige atenção, organização, memória operacional e capacidade de seguir procedimentos.
Alguns profissionais podem apresentar características compatíveis com TDAH e nunca terem recebido um diagnóstico.
Esquecimentos frequentes, dificuldade de manter o foco e desorganização podem ser interpretados apenas como distração.
Em ambientes de trabalho exigentes, essas dificuldades podem gerar frustração e insegurança profissional.
Mas ter dificuldades de atenção não significa falta de competência ou comprometimento.
Uma avaliação adequada pode diferenciar TDAH de cansaço, estresse, ansiedade ou outros fatores.
Conhecer o próprio funcionamento permite buscar estratégias que aumentem a concentração e a segurança operacional.
3. QUANDO A PREOCUPAÇÃO COM OS DETALHES ULTRAPASSA O LIMITE
TOC – Transtorno Obsessivo-Compulsivo
A segurança marítima exige conferências, procedimentos e atenção aos detalhes durante as operações.
Porém, algumas pessoas podem apresentar sintomas de TOC sem reconhecer que existe um transtorno.
Pensamentos indesejados e repetitivos podem provocar ansiedade e levar a verificações ou comportamentos compulsivos.
O profissional pode conferir várias vezes a mesma tarefa, mesmo sabendo racionalmente que ela já foi realizada.
Como a profissão valoriza o cuidado e a responsabilidade, esses comportamentos podem passar despercebidos.
Alguns ainda resistem a admitir o problema por medo de serem julgados ou considerados menos preparados.
O TOC não é simplesmente excesso de organização ou perfeccionismo e merece avaliação especializada.
Fonte: Coluna Saúde Mental
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