Transportadoras brasileiras perdem até R$ 13 bilhões por ano com no-show, diz MovimentAI

Segundo a startup, o desperdício é R$ 1,48 milhão por hora, provocado pela substituição de motoristas que confirmam presença, mas não comparecem no momento da operação

Transportadoras brasileiras perdem até R$ 13 bilhões por ano com no-show, diz MovimentAI

As transportadoras brasileiras podem perder até R$ 13 bilhões por ano com contratações emergenciais de frete provocadas pelo no-show de motoristas em operações com frota terceirizada, segundo levantamento da MovimentAI. De acordo com a startup, o desperdício é R$ 1,48 milhão por hora provocado pela substituição de motoristas que confirmam presença, mas não comparecem no momento da operação.

Em comunicado, a MovimentAI apontou que o gap ocorre precisamente na janela entre a confirmação no sistema e a presença real na doca. É nesse intervalo que o no-show acontece, que o frete emergencial é acionado e que o custo começa a se acumular sem que nenhum painel de controle registre a causa raiz.  

Para obter esses dados, a empresa seguiu uma metodologia dividida em cinco passos com fontes primárias públicas. O estudo se baseou em um mercado anual de R$ 669 bilhões em frete rodoviário no Brasil, considerando que 63% das operações são realizadas com frota terceirizada.

A partir desse recorte, a startup aplicou uma taxa média de 11% de no-show de motoristas, conversão de 70% para fretes emergenciais e um sobrepreço médio de 40% acima do valor originalmente planejado.

Em comunicado, a empresa destacou que o cálculo contempla apenas as contratações de fretes emergenciais, sem contar doca parada, multas de SLA com cliente final, retrabalho administrativo ou impacto de NPS.

O CEO e fundador da MovimentAI, Sergio Simões, considerou o valor de R$ 13 bilhões um número conservador. “Não contamos carga parada, multas, SLA, desgastes comerciais com os clientes ou até mesmo o tempo gasto dos times quando o no-show acontece. Só o sobrepreço do frete emergencial já chega a esse número”, destacou.

Na visão do executivo, o problema não é que as empresas são mal geridas. “É que existe um custo estrutural que nunca teve nome na conta frete. Quando você não consegue nomear o custo, você não consegue atacar o custo. E quando você não ataca, ele vira normal. Nosso trabalho começa em conectar esse custo operacional com a previsibilidade e com a margem real da operação", disse.

RELÓGIO DO DESPERDÍCIO

Para tornar o impacto imediato e compreensível, a empresa criou o “Relógio do Desperdício”, um contador público em tempo real disponível na home do site, que atualiza o custo acumulado a cada minuto. É possível ver, em tempo real, quanto o mercado logístico brasileiro desperdiça por segundo, por hora, no dia, no mês e no ano.

Segundo o CPTO e cofundador da startup, Claudio Sampaio, a logística no Brasil ainda é tratada como uma sequência de tarefas: cotar, acionar, confirmar, carregar. "O que construímos foi uma forma diferente de ver esse processo, não somente como tarefa, mas atrelado com decisão. Cada acionamento de motorista é uma decisão com dados disponíveis que ninguém estava usando”, afirmou o executivo.

"Todo sistema de gestão logística resolve muito bem o que foi planejado. O desafio sempre esteve na brecha entre o planejamento e a execução real, o momento em que o motorista confirmado precisa efetivamente aparecer na doca. É nessa brecha que o desperdício acontece, e foi exatamente nela que enxergamos a oportunidade de construir algo novo”, destacou.

De acordo com a empresa, o “Relógio do Desperdício” não é apenas um contador. É um argumento. Para a MovimentAI, em um mercado onde o problema sempre foi descrito como "algumas ocorrências", "algo recorrente" ou "uma variação normal de frete", colocar um número em tempo real na tela de qualquer executivo muda a natureza da conversa.  

 

Fonte: Redação - Mundo Logística

Via: Agência Logística de Notícias

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