150º Aniversário da Diretoria de Hidrografia e Navegação

DIRETORIA DE HIDROGRAFIA E NAVEGAÇÃO

150º Aniversário da Diretoria de Hidrografia e Navegação

Hoje, neste espaço de profundo simbolismo histórico — a Ilha Fiscal, que abrigou a Diretoria de Hidrografia e Navegação entre 1914 e 1983 —, celebramos os 150 anos de existência da DHN, marco que ultrapassa a simples passagem do tempo e se afirma como expressão de um legado permanente de serviço ao Brasil e aos navegantes, construído com dedicação, rigor técnico e compromisso com o interesse nacional.
A história da Hidrografia brasileira confunde-se com a própria edificação do Estado nacional. Em 1876, com a criação da Repartição Hydrographica, o Brasil deu passo decisivo para sistematizar o conhecimento de suas águas, estabelecer padrões científicos e ampliar, de forma substancial, a segurança da navegação. Pouco depois, a instituição da Repartição de Faróis consolidou outro pilar essencial, ao estruturar a rede de auxílios à navegação — silenciosas e permanentes sentinelas da salvaguarda da vida humana no mar. A esse esforço se somou, ainda, a Repartição Central Meteorológica, cuja atuação revelou-se indispensável ao planejamento e à condução segura das singraduras. A progressiva articulação entre essas três instituições traduziu a compreensão estratégica de que o conhecimento preciso do ambiente marítimo e a sinalização náutica eficiente constituem fundamentos indissociáveis do Poder Marítimo, do desenvolvimento econômico e da afirmação da soberania nacional, culminando na consolidação institucional que deu origem à atual Diretoria de Hidrografia e Navegação.
À frente desse esforço pioneiro esteve o Almirante Antônio Luiz von Hoonholtz, Barão de Teffé, primeiro Diretor da Repartição Hydrographica. Marinheiro, diplomata e cientista, reuniu erudição, liderança e elevado espírito público para estruturar um serviço concebido para ser, simultaneamente, técnico, confiável e estratégico. Ao seu lado, como referência moral e profissional, sobressai a figura do Capitão de Fragata Manoel Antônio Vital de Oliveira, Patrono da Hidrografia, cujo rigor científico, coragem intelectual e dedicação ao dever permanecem como exemplos perenes para sucessivas gerações. Em ambos reconhecemos virtudes que continuam indispensáveis aos militares da Hidrografia: disciplina, precisão, perseverança, humildade diante da ciência e compromisso inabalável com a verdade dos dados.
Ao longo de um século e meio, a Diretoria de Hidrografia e Navegação e suas Organizações Militares subordinadas desempenharam papel decisivo na elevação dos padrões de segurança da navegação e na salvaguarda da vida humana no mar. Cada carta náutica produzida, cada aviso aos navegantes difundido, cada farol aceso e cada sistema implantado contribuíram para mitigar riscos, ampliar a confiabilidade das rotas marítimas e fortalecer o Poder Marítimo brasileiro. Esse esforço técnico, contínuo e, muitas vezes, silencioso sustenta o comércio exterior, impulsiona o desenvolvimento econômico e assegura que riquezas, oportunidades e pessoas transitem com segurança pelos nossos portos, conectando o Brasil ao mundo. É precisamente nesse contexto que se insere o lema desta celebração — “Mares Sondados, Destinos Conectados” —, síntese eloquente da essência de nossa missão: transformar conhecimento em segurança, ciência em desenvolvimento e hidrografia em elo permanente entre pessoas, economias e nações.

No nível estratégico, a atuação da DHN no Plano de Levantamento da Plataforma Continental Brasileira (LEPLAC) merece especial destaque. Os verdadeiros “bandeirantes das longitudes salgadas” — nossos hidrógrafos, cientistas e diplomatas — ampliaram as fronteiras marítimas do Brasil, incorporando ao patrimônio nacional uma vasta área oceânica de extraordinário potencial, cujo valor pleno ainda está por ser integralmente dimensionado. Esse esforço contínuo, desenvolvido ao longo de quase quatro décadas, traduziu-se em uma das mais expressivas conquistas geopolíticas da história recente do País. Simbolizando esse esforço de quase 40 anos, o Navio de Pesquisa Hidroceanográfico “Vital de Oliveira” inicia, nesta data, mais uma singradura dedicada à coleta de dados essenciais ao robustecimento do pleito brasileiro junto à Organização das Nações Unidas, reafirmando nosso compromisso permanente com a expansão responsável da soberania nacional sobre o mar.
Nesse mesmo horizonte estratégico, o apoio contínuo da DHN à pesquisa oceanográfica — tanto nas águas jurisdicionais brasileiras quanto no continente antártico — revela-se indispensável para a compreensão aprofundada do nosso espaço marítimo, de suas potencialidades e de suas vulnerabilidades. Tal conhecimento mostra-se igualmente crucial para o entendimento das mudanças climáticas e da intensificação dos eventos extremos, tema particularmente sensível para um país em que cerca de 55% da população vive a até 150 quilômetros da costa. Conhecer o oceano é, portanto, conhecer o futuro do Brasil. Nesse espírito, de forma emblemática, o Navio Polar “Almirante Maximiano” ultrapassou o Círculo Polar Antártico, demonstrando que a Hidrografia brasileira estará sempre presente onde o interesse nacional e o avanço da ciência assim o exigirem.
Os desafios que se apresentam são expressivos. Ainda conhecemos pouco da vastidão e da complexidade da nossa Amazônia Azul. Impõe-se, portanto, dispor de meios compatíveis com suas dimensões, de tecnologias permanentemente atualizadas e de equipamentos capazes de acompanhar o dinamismo da pesquisa oceânica, a fim de assegurar a produção de informações cada vez mais precisas, confiáveis e oportunas. Trata-se de dados indispensáveis tanto para o adequado emprego do Poder Naval quanto para o desenvolvimento consistente, integrado e sustentável do Poder Marítimo brasileiro.
Superar esses desafios, contudo, exige mais do que tecnologia. Exige honrar o esforço, a coragem e o sacrifício daqueles que nos antecederam, que, munidos apenas de prumo de mão, quintante e desassombro, desbravaram mares desconhecidos e identificaram águas seguras para a navegação de seu tempo. Cabe a nós, hidrógrafos de hoje, dar continuidade a essa obra com os recursos do século XXI — sonares de alta resolução, satélites, sistemas digitais e processamento avançado de dados —, sondando, com ciência e determinação, os canais que conduzem ao futuro.
É, pois, com especial orgulho que voltamos nosso olhar aos hidrógrafos do amanhã, aqui representados pelos Aspirantes da Escola Naval e pelos Oficiais e Praças que ingressam nas lides hidrográficas por meio dos cursos do Centro de Instrução e Adestramento Almirante Radler de Aquino. Em breve, recairá sobre seus ombros a elevada responsabilidade de conduzir adiante um legado construído ao longo de 150 anos de conquistas. Que este Sesquicentenário não se limite a uma celebração da memória, mas se converta em compromisso renovado com o porvir. Que a Diretoria de Hidrografia e Navegação siga firme em sua missão, guiada pelo espírito marinheiro, alicerçada na ciência e movida por profundo amor ao Brasil.
Diretoria de Hidrografia e Navegação: “restará sempre muito o que fazer...”

RICARDO JAQUES FERREIRA
Vice-Almirante
Diretor

 

Fonte: ACS/DHN

Via: Agência Logística de Notícias

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