A dimensão do desafio hoje, porém, é muito maior.
As exportações de petróleo e gás da região quase dobraram desde então, chegando a cerca de 20 milhões de barris por dia no ano passado. O Catar, agora o segundo maior produtor mundial de GNL, exportou cerca de 80 milhões de toneladas métricas no ano passado – cerca de um quinto da demanda global. Na década de 1980, o país sequer participava dos mercados globais de energia.
Garantir a segurança de volumes tão enormes de petróleo, gás e navios-tanque seria uma tarefa formidável e quase certamente exigiria a assistência das marinhas de outros países.
E, ainda mais importante, organizar um esforço desse porte levaria dias, senão semanas.
O TEMPO ESTÁ SE ESGOTANDO
No entanto, o tempo está se esgotando tanto para os produtores quanto para os consumidores.
O bloqueio de Ormuz já está forçando os produtores do Golfo a reduzirem a produção. O Iraque cortou a produção na terça-feira em mais de 1,1 milhão de barris por dia, aproximadamente um quarto de sua produção total, devido à falta de capacidade de armazenamento. Autoridades afirmaram que a produção pode cair em mais de 3 milhões de barris por dia em poucos dias se a interrupção persistir.
Outros produtores enfrentam restrições semelhantes.
A Arábia Saudita, maior exportadora mundial de petróleo bruto, enviou cerca de 7 milhões de barris por dia em fevereiro e agora está desviando parte da produção para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, através de um oleoduto com capacidade para 5 milhões de barris por dia. Mas a capacidade de exportação de Yanbu é limitada a no máximo 2 milhões de barris por dia, então o reino foi obrigado a armazenar grandes volumes em terra.
E a Arábia Saudita já detém cerca de 82 milhões de barris de petróleo bruto em armazenamento terrestre, o que representa cerca de 56% da capacidade, de acordo com dados da Kayrros.
Os Emirados Árabes Unidos, que exportaram cerca de 3,3 milhões de barris por dia no mês passado, podem desviar até 1,5 milhão de barris por dia através de um oleoduto que contorna o Estreito de Ormuz. Mas, novamente, isso significa utilizar os estoques, que estão em torno de 40% de sua capacidade, com cerca de 34 milhões de barris já armazenados, disse Kayrros.
Como resultado, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait podem ver seus estoques se esgotarem em poucos dias, forçando cortes de produção ainda maiores.
A EMOÇÃO ENERGÉTICA DA ÁSIA
A pressão sobre os consumidores também está aumentando.
As refinarias asiáticas, fortemente dependentes do petróleo do Oriente Médio, estão com dificuldades para substituir o fornecimento e provavelmente reduzirão suas taxas de operação. Duas refinarias chinesas já reduziram a produção, enquanto a Índia restringiu o fornecimento de gás para sua base industrial devido à escassez.
O choque está se espalhando pelos mercados financeiros asiáticos. O índice KOSPI da Coreia do Sul caiu 18% nesta semana, em parte devido a temores de que os vastos setores petroquímico e industrial do país — ambos altamente dependentes da energia do Oriente Médio — possam ser afetados.
A questão crucial permanece: quanto tempo a guerra irá durar? Trump indicou que ela poderia se arrastar por várias semanas, mas o sistema energético global talvez não consiga esperar tanto tempo – mesmo que seus planos de reabrir o Estreito de Ormuz se mostrem bem-sucedidos.
Ron Bousso. Edição de Gareth Jones
Fonte: Agência Reuters
Via: Agência Logística de Notícias
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