Com o fim da escala 6x1, automatizar deixou de ser luxo e virou pré-requisito para as empresas
Por Fernando Baldin, Country Manager LATAM da AutomationEdge
Com duas folgas semanais no horizonte, operações que funcionam todos os dias vão precisar de mais gente ou de menos tarefa manual. E o setor de TI, que deveria dar o exemplo, é uma das áreas que mais deixa a desejar em relação a automações.
Em 2016, trabalhei numa operação de service desk que entregava Gerenciamento de Serviços de TI (ITSM), base de conhecimento estruturada e automação de rotinas. O trabalho até chamou a atenção do Gartner, uma das maiores empresas globais de pesquisa, consultoria e aconselhamento em tecnologia e gestão de negócios, que o reconheceu como referência. Na época, isso parecia o futuro. Dez anos depois, ainda encontro operações de TI em que alguém reseta senha à mão, desbloqueia usuário manualmente e cria e-mail de funcionário novo numa segunda-feira de manhã.
O Senado aprovou o fim da escala 6x1 por 75 votos a 1, e um placar assim mostra que o debate sobre o fim da escala deixou de ser tema de discussão e virou realidade a que as empresas precisam se adaptar. E a conta é simples, se uma operação precisa funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana, e cada profissional passa a ter duas folgas semanais, é preciso mais gente para cobrir os mesmos turnos, mesmo que o salário de cada um permaneça igual.
Quem sente isso primeiro são os prestadores de serviço, já que eles vendem horas, e quando o custo da hora sobe, só há dois caminhos: repassar ao cliente ou mudar o jeito de entregar.
O primeiro caminho é o mais confortável e o mais perigoso, porque reclamar do governo e discordar das regras é um direito, e o debate sobre os impactos econômicos é legítimo. Mas para quem tem de entregar resultado, é improdutivo. Empresa que gasta energia lamentando a regra perde o tempo que precisava para se preparar. E o cliente, que também está refazendo as próprias contas, não vai aceitar bem um reajuste que apenas devolve a ele o custo da ineficiência do fornecedor.
O segundo caminho é repensar a operação, e para isso não é preciso esperar nenhuma tecnologia nova. RPA e inteligência artificial estão consolidadas, são acessíveis e já provaram seu valor. A pergunta que toda liderança deveria se fazer é quanto do trabalho da sua equipe realmente precisa de uma pessoa.
Se olharmos com honestidade para a rotina de uma operação de TI, a resposta é desconfortável. Reset de senha, desbloqueio, gestão de acessos, criação e revogação de contas em admissões e desligamentos, serviço parado, fila de impressão travada, disco cheio, triagem de chamados, coleta de logs, consulta de status. Tudo isso é repetitivo e segue um roteiro. É exatamente o território da automação.
A IA entra onde o roteiro encontra a bagunça. O usuário não abre chamado em formato padronizado, ele escreve no chat, manda e-mail meio confuso e descreve o problema do jeito que lhe vem à cabeça. A IA consegue interpretar esse pedido, classificar, extrair o que importa e acionar a automação certa. O que antes consumia o tempo de um analista passa a ser resolvido sem que ninguém precise tocar no chamado.
Há uma ironia nisso tudo, porque a área de tecnologia, que vive vendendo eficiência para o resto da empresa, costuma ser uma das menos automatizadas por dentro. É o caso clássico da casa do ferreiro. Durante anos, essa conta foi empurrada para frente porque havia mão de obra disponível e ninguém era obrigado a escolher, mas a mudança na escala acaba com esse conforto.
O mesmo raciocínio vale para rotinas administrativas, para o financeiro, para o atendimento e até para a automação física, em áreas em que ela já se paga. O que antes era diferencial tende a virar requisito mínimo de competitividade.
Dois tipos de empresas, dois destinos
Vejo duas empresas diferentes saindo desse cenário. A primeira vai ao cliente repassar o custo, com a esperança de que ele entenda. A segunda muda o formato de operar, libera as pessoas para atividades de maior valor, mantém a cobertura 24x7 com uma equipe mais enxuta e aumenta a própria margem. A segunda não está livre do impacto da nova escala, ela só decidiu que a mudança seria uma alavanca de eficiência e não de custo.
A janela para se preparar é curta e quem entender isso a tempo vai ganhar mercado de quem ainda estiver discutindo se a regra é justa.
Sobre Fernando Baldin
Baldin é Country Manager LATAM na AutomationEdge, com mais de 25 anos de experiência nas áreas de Gerência Comercial, Recursos Humanos, Inovação e Operações. Ao longo de sua trajetória, liderou iniciativas estratégicas de transformação organizacional em empresas de grande porte. Conta com diversas certificações de alto nível, como ITIL V3 Expert, ITIL Manager e HDI KCS, além de atuar como membro do conselho consultivo estratégico do Help Desk Institute.
Sobre a AutomationEdge
A AutomationEdge é fornecedora de soluções de Hyperautomação, Robotic Process Automation e IT Automation. Seu RPA inteligente, altamente avançado, reúne todos os recursos essenciais necessários para automação empresarial, como inteligência artificial, machine learning, chatbot, ETL, integrações de API prontas e automação de TI.
Fonte: Elenita Andrade - Comunicação Vertical
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