Pesquisa do ESALQ-LOG investiga uso da ferrovia no agro brasileiro

Realizado em parceria com a CNA, levantamento pretende construir diagnóstico técnico sobre a prestação de serviços ferroviários no escoamento de cargas

Pesquisa do ESALQ-LOG investiga uso da ferrovia no agro brasileiro

Com o objetivo de entender o uso do transporte ferroviário no escoamento de cargas pelo agronegócio brasileiro, o  ESALQ-LOG (Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da ESALQ/USP), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), anunciou uma nova pesquisa. O levantamento pretende reunir percepções e experiências do setor para construir um diagnóstico técnico sobre a prestação de serviços ferroviários no escoamento de cargas.

O agronegócio brasileiro movimenta mais de um bilhão de toneladas de cargas por ano e responde por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) do país. No entanto, o ESALQ-LOG destacou que logística ainda representa um desafio relevante para a competitividade do setor. Em commodities agrícolas, por exemplo, o custo do frete pode representar entre 30% e 40% do preço final do produto, refletindo a importância da eficiência no transporte.

Assim, a ferrovia aparece frequentemente como alternativa para operações de maior escala e longas distâncias. Em um estudo desenvolvido pelo ESALQ-LOG, que abordou o perfil das ferrovias do agronegócio brasileiro, para distâncias equivalentes, o frete ferroviário pode apresentar custos médios cerca de 41,8% menores que o frete rodoviário, dependendo da rota e das condições operacionais.

Ainda assim, a participação do modal ferroviário no escoamento do agronegócio permanece relativamente limitada. Entre 2010 e 2020, por exemplo, a participação das movimentações ferroviárias de granéis agrícolas em relação à produção total passou de 20,1% para 22,8%, crescimento considerado modesto diante da expansão da produção agrícola no mesmo período.

Mesmo que agentes apontem que o modal seja uma alternativa relevante para ampliar escala, previsibilidade e eficiência no escoamento da produção, há quem argumente que desafios operacionais, acesso à infraestrutura e questões comerciais ainda influenciam a decisão de utilizá-lo.

Diante desse cenário, o ESALQ-LOG revelou a questão que motivou a pesquisa: por que algumas empresas optam pelo transporte ferroviário enquanto outras ainda dependem do modal rodoviário? Para os organizadores do levantamento, compreender as razões por trás das decisões logísticas das empresas é fundamental para qualificar o debate sobre infraestrutura e transporte no país.

O questionário aborda temas como critérios utilizados na escolha de modais de transporte, experiências com contratação de serviços ferroviários, condições operacionais consideradas relevantes e fatores que influenciam a utilização ou não da ferrovia nas operações logísticas.

Um dos focos do levantamento é justamente ouvir profissionais e empresas responsáveis pela tomada de decisão logística, que lidam diretamente com a escolha de modais, contratação de fretes e planejamento de operações.

Segundo os organizadores, a participação desses agentes é essencial para que o diagnóstico reflita de forma fiel a realidade do setor. Empresas usuárias, ex-usuárias ou potenciais usuárias do transporte ferroviário podem participar respondendo ao questionário disponível online: https://esalqlog.esalq.usp.br/pesquisadeferrovias. As respostas são confidenciais e analisadas de forma agregada. 

 

Fonte: Redação - Mundo Logística

Via: Agência Logística de Notícias

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