Em balanço do 1º semestre, FETCESP projeta desafios para o transporte de cargas em 2026

Entidade apontou que adaptação regulatória se tornou parte da rotina das transportadoras em questões trabalhistas, custos e ambiente político

Em balanço do 1º semestre, FETCESP projeta desafios para o transporte de cargas em 2026

A Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP) divulgou um balanço do primeiro semestre de 2026, no qual avaliou que o período consolidou um ambiente de mais complexidade para o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). Nesse contexto, mudanças regulatórias, pressão sobre custos e debates trabalhistas devem continuar exigindo planejamento estratégico das transportadoras nos próximos meses.

Entre os principais movimentos observados no período, a entidade destacou as novas exigências relacionadas ao Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), as alterações no Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) e o avanço dos mecanismos de fiscalização eletrônica. Para a FETCESP, essas mudanças demandaram investimentos em tecnologia, revisão de processos internos e fortalecimento dos controles operacionais. “O primeiro semestre mostrou que o desafio das transportadoras deixou de ser apenas operacional. Hoje, as empresas precisam acompanhar um ambiente regulatório cada vez mais dinâmico, investir em tecnologia, reforçar controles internos e manter capacidade de adaptação rápida para preservar eficiência e competitividade”, afirmou Carlos Panzan, presidente da FETCESP.

DESAFIOS HISTÓRICOS DO TRANSPORTE DE CARGAS

Além das adequações regulatórias, o setor segue enfrentando desafios estruturais. O diesel, que chegou a acumular alta de 19% em março, permanece como um dos principais componentes do custo operacional das empresas, representando entre 35% e 50% do valor do frete e podendo superar 70% em algumas operações.

Levantamento da NTC&Logística apontou ainda uma defasagem média de 10,1% no frete rodoviário no início de 2026 — o que, segundo a entidade, amplia a pressão sobre as margens das transportadoras.

Na visão da FETCESP, os primeiros seis meses do ano evidenciaram que a adaptação regulatória deixou de ser uma questão pontual e passou a fazer parte da rotina estratégica das empresas. Para o segundo semestre, a avaliação da federação é que os principais desafios tendem a se concentrar em questões estruturais ligadas ao ambiente econômico, político e trabalhista.

ESCALA 6X1 E QUESTÕES TRABALHISTAS

Entre os temas que mais preocupam o setor está a discussão sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de trabalho. Estudo encomendado pela CNT e repercutido pelo Poder360 estima que a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais poderá elevar em 8,66% os custos com mão de obra no setor de transporte, gerando impacto anual de aproximadamente R$ 11,9 bilhões.

O mesmo levantamento apontou que, para manter os atuais níveis de operação e atendimento, seria necessária a contratação de cerca de 240 mil novos trabalhadores em todo o setor. O cenário preocupa especialmente o transporte rodoviário de cargas, que já enfrenta dificuldades para preencher vagas de motoristas profissionais — com um déficit estimado em mais de 100 mil motoristas —, além de outros cargos operacionais. “Estamos diante de uma discussão que exige equilíbrio. O transporte de cargas é uma atividade essencial para o abastecimento da economia e qualquer mudança estrutural precisa considerar seus impactos sobre custos, produtividade e capacidade de atendimento”, disse Panzan.

ATENÇÃO AO CENÁRIO POLÍTICO-ECONÔMICO

Segundo a entidade, além das discussões trabalhistas, as transportadoras acompanham com atenção o ambiente político e econômico do país, especialmente diante do calendário eleitoral e dos preparativos para a implementação gradual da Reforma Tributária. “A tendência é que o segundo semestre continue exigindo elevado nível de planejamento e capacidade de adaptação das empresas. O setor precisa de previsibilidade para investir, organizar operações e manter competitividade”, destacou Panzan. “Quanto maior a estabilidade regulatória e o diálogo entre poder público e setor produtivo, maiores serão as condições para que as transportadoras continuem operando com eficiência e segurança.”

Diante desse cenário, a FETCESP reforçou a importância do Índice CNT de Confiança do Transportador Rodoviário de Cargas como ferramenta para acompanhar as expectativas dos empresários em relação ao ambiente econômico, regulatório e às perspectivas do setor para os próximos meses. “Estamos diante de um cenário marcado por mudanças regulatórias, pressão sobre custos e desafios relacionados à mão de obra e à competitividade. Quanto mais empresas participarem da pesquisa, mais qualificado será o diagnóstico sobre a realidade do transporte de cargas. Esse conhecimento é fundamental para subsidiar debates, orientar ações institucionais e fortalecer a representação do setor diante dos desafios que se apresentam para os próximos meses”, declarou o presidente da FETCESP.

 

Fonte: Redação Mundo Logística

Via: Agência Logística de Notícias

Contatos: +55 91 98112 0021 - 91 3212 1015

contato@agencialogistica.com.br