Ultragaz inaugura primeiro posto de biometano em rodovia do país
Infraestrutura, que recebeu investimento de R$ 4 milhões, funciona com tecnologia própria e tem capacidade para abastecer cerca de 200 caminhões diariamente
A Ultragaz inaugurou nesta quarta-feira (4), na Rodovia dos Bandeirantes, dentro do Complexo Lago Azul, o primeiro posto de biometano em rodovia do país. A infraestrutura tem capacidade de abastecimento de 24 mil m³ por dia, suficiente para atender cerca de 200 caminhões diariamente.
O posto, que recebeu investimento de R$ 4 milhões, entra em operação no primeiro trimestre de 2027 e faz parte da estratégia da Ultragaz para a distribuição de pontos de abastecimento nas principais rodovias do país, viabilizando uma logística de baixo carbono, operada 100% com combustível renovável. “Esse é o primeiro passo da Ultragaz em relação a uma rota de corredor verde. [....] A gente vem trabalhando em parceria para viabilizar a infraestrutura de abastecimento nos corredores verdes do Brasil, nos corredores logísticos”, destacou o vice-presidente de Mercados da Ultragaz, Guilherme Darezzo.
No início, o atendimento será voltado aos clientes da Ultragaz. A expectativa é que, no futuro, a estrutura fique disponível para qualquer veículo pesado que busque o combustível renovável na estrada.
O plano da empresa ainda envolve replicar o modelo. Em coletiva de imprensa realizada durante a inauguração, Darezzo estimou mais de 20 postos em rodovias em um horizonte de até três anos, com foco em corredores das regiões Sul e Sudeste.
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FUNCIONAMENTO DO PRIMEIRO POSTO DE BIOMETANO NO BRASIL
O biometano abastecido no posto é produzido em um aterro sanitário a cerca de 5 km da infraestrutura. De lá, o gás segue em carretas até o ponto de abastecimento, e o trajeto também é feito a caminhões movidos a biometano. “A gente garante que o gás venha sem nenhuma conexão com combustível fóssil durante o caminho”, explicou. Ao chegar no Complexo Lago Azul, a carreta, que funciona como estoque, é estacionada no bate-roda e conectada ao equipamento por mangueiras.
Os caminhões convencionais carregam entre 5 mil e 6,5 mil m³, mas a Ultragaz testa uma carreta com capacidade para 12 mil m³, o que permite vários abastecimentos por viagem.
Nesse momento, entra em ação o equipamento desenvolvido pela própria Ultragaz, patenteado e fruto de 15 anos de trabalho da equipe de engenharia da empresa, localizada em Caxias do Sul (RS). A operação é off-grid, sem ligação com a rede de gás, e o sistema faz o abastecimento de um caminhão em 8 a 12 minutos. Um compressor convencional realizaria o mesmo trabalho em 20 minutos.
Após passar pelo equipamento, o gás segue por uma tubulação até a bomba. Quem abastece é o frentista do posto parceiro, que passa por treinamento.
HISTÓRIAS DE PIONEIRISMOS
A empresa, que completou 89 anos em 2026, foi pioneira no país ao distribuir gás em botijão e quer repetir a fórmula agora com o biometano. De acordo com o CEO da Ultragaz, Tabajara Bertelli, o paralelo com o passado é direto. Quando a empresa começou a vender gás de cozinha, quase ninguém tinha fogão a gás no Brasil, porque todo mundo cozinhava no fogão a lenha.
Para o mercado acontecer, foi preciso vender o fogão em consignação junto com o botijão. “[A Ultragaz] é uma empresa que gosta de inventar, de criar, de tomar a frente dos processos. Guardadas as devidas diferenças, o biometano foi o mesmo processo”, comentou.
A decisão de ir além do GLP surgiu há cerca de quatro anos e não foi sem receio. “Dava um certo frio na barriga naquele começo, porque não tinha as coisas acontecendo, muitas vezes não tinha a regulação necessária”, contou o executivo.
Segundo Bertelli, a motivação veio da própria história da empresa. Nesse caminho, a Ultragaz precisou inventar soluções e contar com a parceria de clientes, fornecedores e do poder público. “A nossa grande ambição é que o sonho do biometano chegue mais cedo, porque a gente vai participar dele”, disse.
IMPACTO NO TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS
O executivo citou o cenário do combustível fóssil, com o Brasil dependente de importações e a variação de preço, que complica o ambiente de negócios. É nesse ponto que entra um dos grandes beneficiários da infraestrutura da Ultragaz: o transporte rodoviário de cargas.
O modal, que responde por mais de 65% da movimentação de mercadorias no Brasil, depende do diesel para manter as operações funcionando. Embora o país produza a maior parte do combustível que consome, as importações ainda são necessárias para o abastecimento do país. Em 2025, o volume importado chegou a 17,3 bilhões de litros, alta de 20% em relação ao ano anterior.
Essa dependência também expõe o setor às oscilações do mercado internacional. Segundo dados da NTC&Logística, o combustível representa, em média, 35% dos custos operacionais das transportadoras.
Por outro lado, Bertelli destacou o potencial do biometano, gerado no país a partir de resíduos e do setor sucroalcooleiro, entre outras fontes como o agronegócio. “É um gás que, na prática, é gerado sem você fazer muita coisa, está acontecendo lá. Você precisa capturar, beneficiar e fazer esse processo acontecer”, afirmou.
DESCARBONIZAÇÃO DO SETOR
Além da possibilidade da independência do diesel, o biometano também auxilia as operações de transporte no processo de descarbonização. O combustível renovável pode trazer benefícios tanto para embarcadores quanto para transportadores.
De acordo com o estudo internacional Biomethane for Transport Decarbonization, encomendado pelo Instituto MBCBrasil, o biometano pode reduzir entre 45% e 75% as emissões de gases de efeito estufa no ciclo de vida em comparação ao diesel. “Cada um tem sua meta de redução [de emissões de gases de efeito estufa]. Então a nossa proposta, junto com o cliente, é achar os pontos ideais de abastecimento nos principais corredores logísticos do Brasil”, afirmou Darezzo.
Os números da Ultragaz indicam que o movimento já começou. A empresa tem cerca de 20 clientes de biometano e 700 mil m³ por dia contratados, dos quais comercializa aproximadamente 150 mil m³ diários, e 20% desse volume já é destinado à frota pesada.
Entre os clientes, seis têm ponto de abastecimento interno: três são embarcadores e três, transportadoras. Segundo o executivo, os projetos de biometano da companhia já evitaram a emissão de 110 mil toneladas de CO2.
MAIS 20 POSTOS
No entanto, o plano da Ultragaz não ficará restrito a infraestrutura localizada no Complexo Lago Azul. A Ultragaz espera construir mais 20 postos em rodovias em um horizonte de até três anos e sempre conforme a demanda dos clientes.
Segundo Darezzo, os estudos da empresa priorizam os corredores do Sudeste e do Sul, com destaque para as rotas rumo a Belo Horizonte, ao Rio de Janeiro e ao Sul do país, voltadas principalmente a cargas de exportação. As negociações mais avançadas são para a BR-101, onde a empresa busca um posto parceiro para instalar a infraestrutura. “A ideia é democratizar o biometano para os pequenos transportadores”, afirmou o executivo.
Fonte: Ana Beatriz Rodrigues - Mundo Logística
Via: Agência Logística de Notícias
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